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sexta-feira, 3 de abril de 2015

Conhecendo a Tiquara - HISTÓRIA


O povoado de Tiquara situa-se a 27 km da sede do município de Campo Formoso, foi habitado por índios da tribo dos Galaches, da grande família dos Secariquequens. É provável que o primeiro contato dos brancos com esses índios foi feito durante a exploração das jazidas de salitre descoberto em 1671 por Bento Surrel. É considerado como fundador do povoado Pedro santos, que lá chegou em 1905. No local sua mãe encontrou uma nascente de água a qual denominou de Buraco D’Água, que passou a ser o primeiro nome do povoado.
De acordo com dados do IBGE, em 2010, o povoado tinha 2.005 habitantes. A maior parte desta sobrevive graças à cultura do sisal. Em períodos de estiagem prolongada boa parte da população procura outras áreas agrícolas do Brasil ou grandes centros urbanos para trabalharem, com isso há um decréscimo considerável na população local.
Para reverter esta situação é necessária a implantação de projetos visando à organização dos pequenos agricultores e a melhoria das condições locais de produção e comercialização do sisal e de outros produtos agropecuários, e, conseqüentemente, melhorar as condições de vida da população envolvida nestas atividades. Com isso poderá haver redução dos índices de emigração, em face às melhores perspectivas de vida digna.
A região de Tiquara é responsável pela maior parte da produção de sisal do mundo, porém a maior parte dos sisaleiros vive em condição de miséria. A maior parte da população é constituída de pequenos proprietários rurais, utilizam basicamente a mão-de-obra familiar no processo produtivo, sobrevivem da produção e extração da fibra do sisal, da criação de caprinos, ovinos e da agricultura de subsistência (plantio de milho, feijão e mandioca). Já os Médios e grandes proprietários rurais se dedicam à criação do gado bovino de forma extensiva e do plantio de culturas irrigadas como o tomate.
O sisal, ou agave, é uma planta originária do México, adaptada ao semi-árido e resistente às secas, e que gera a mais importante fibra dura do mundo. É uma importante fibra dura no comércio mundial. A cultura do sisal destaca-se pela capacidade de geração de empregos, por meio de uma cadeia de serviços que abrange, desde os trabalhos de manutenção das lavouras (baseados na mão-de-obra familiar), a extração e o processamento da fibra para o beneficiamento, até as atividades de industrialização de diversos produtos, bem como seu uso para fins artesanais.
O segmento do sisal é intensivo em de mão-de-obra em todas as fases de implantação, manutenção, colheita e desfibramento. Além do contingente de mão-de-obra diretamente ocupado na atividade sisaleira, grande número de outras pessoas é dependente dessa cultura ainda no setor primário, bem como no secundário e terciário. Pertencem a essas categorias os proprietários sitiantes, os fazendeiros que exploram o sisal, os fazendeiros administradores, os fazendeiros ausentes e os demais agentes da produção que estão nos outros setores da economia (beneficiadores, industriais e exportadores).
Em Campo Formoso as primeiras mudas de sisal chegaram em 1942, e foram plantadas próximo à gruta "Toca da Onça” em Tiquara. Daí a lavoura espalhou-se pelos campos de Brejão da Caatinga, Lagoa Branca, região do Salitre, Olhos d' Água, Belas, Lajes e toda a região de caatinga do interior do Município. Tão importante tornou-se o sisal em Campo Formoso que sua silhueta tornou-se um símbolo incorporado à bandeira do Município quando fora oficializada.
No dia 11 de setembro de 1969, com o Decreto nº 65.138, a Cia. de Cimento do São Francisco (CISAFRA) conseguiu o direito de lavrar calcário e argila em Tiquara nos terrenos pertencentes a Júlio Carneiro de Albuquerque Maranhão Filho, Elizeu J. da Silva, José Antunes dos Santos, Artur Regis, Clovis Saback, Joaquim Benedito Gama, Francisco Gomes da Silva, Jacob da Silva, numa área de quatrocentos e noventa e nove hectares e sessenta e dois ares (499.62ha). Hoje, se encontram em processo de lavra pela CIMPOR duas jazidas de calcário localizadas em Tiquara, com reservas potenciais estimadas em 800 milhões de toneladas de calcário. Vale salientar que a extração do calcário não gera impactos consideráveis para a economia da localidade, é pequeno o número de pessoas da comunidade contratadas para trabalhar na empresa.
O povoado de Tiquara situa-se numa área propícia a ocorrência de cavernas. A mais conhecida no local é a Toca da Onça, localiza-se a 10º 24' 46" de latitude sul e 40º 24' 46" de longitude oeste. No seu interior há algumas pinturas rupestres que foram estudadas pelo pesquisador Carlos Ott na década de 40. Nessa gruta houve intensa exploração de salitre para fabricação de pólvora durante a 2ª guerra mundial.
Estudos recentes publicados em um artigo da Nature (MAIO/2012), uma conceituada revista científica, dão enfoque a um pequeno invertebrado encontrado na Toca da Onça que é capaz de depositar cristais de ferro em suas asas, único caso conhecido no planeta. A descoberta foi feita pelo Prof. Rodrigo Lopes da Universidade Federal de Lavras (UFLA). O animal foi coletado numa expedição da qual fez parte o campoformosense e Biólogo André Vieira.
O povoado se encontra na Zona da Caatinga com predominância de caatingas do tipo arbustivo-arbórea. O relevo local é predominante plano, este se eleva a leste e a oeste. No local não há rios ou riachos que mereçam destaque, sendo assim as águas são absorvidas para o lençol freático devido ao alto poder de absorção do solo por ser uma área com onde há grande ocorrência de dolinas (depressões no terreno).
O clima do local é o Semiárido, cuja precipitação anual deve oscilar entre 500 mm e 600 mm. O período mais chuvoso vai de janeiro a março quando acontecem às chuvas de trovoadas. O mês mais frio é julho, enquanto os meses mais quentes são novembro, dezembro e janeiro.

Fonte: Blog do Professor Jasson de Oliveira Ferreira
Visite: http://professorjassonoliveira.blogspot.com.br/
 
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